Aloísio Nelmo Klein é Destaque Pesquisador do Centro Tecnológico

12/10/2011 09:52

Há 27 anos o professor coordena o Laboratório de Materiais, uma das melhores infraestruturas de pesquisa em metalurgia do pó e tecnologia de plasma no Brasil. Foto: Brenda Thomé

O professor Aloísio Nelmo Klein já orientou 60 estudantes de iniciação científica, 28 mestrandos e outros 21 doutorandos, além de nove pós-doutorandos. Intermediou a ida de mais de 100 estudantes para o exterior, para a realização de estágios, intercâmbios, mestrados e doutorados. Além da contribuição à formação de recursos humanos, pesou em sua escolha no Centro Tecnológico como Destaque Pesquisador UFSC 2011 a relevância de sua pesquisa, que já resultou na aprovação de sete patentes, no Brasil e no exterior, além de seis em tramitação. O Prêmio Destaque Pesquisador vai homenagear 10 professores no dia 19 de outubro, no Centro de Cultura e Eventos, a partir de 18h30min, em cerimônia conjunta com a abertura do 21º Seminário de Iniciação Científica da UFSC.

Físico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Aloísio Klein, chegou ao Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC logo que concluiu seu mestrado em Engenharia de Minas, Metalurgia e Materiais, também pela UFRGS. Veio para atuar na área de Materiais e além de professores do Departamento de Engenharia Mecânica integrou pesquisadores da Física, Química e Engenharia Química – uma combinação interdisciplinar essencial ao desenvolvimento de projetos de maior porte na área de Engenharia de Materiais.

Em novembro de 1979 foi para a Alemanha para o doutorado em Engenharia Mecânica, área de Materiais, na Technische Universität Karlsruhe – formação que aliada a sua capacidade de trabalho, de agregar pessoas e a sua visão institucional conquistou o respeito do Centro Tecnológico da UFSC.

Trabalho coletivo
Há 27 anos Aloísio Klein coordena o Laboratório de Materiais, atualmente uma das melhores infraestruturas de pesquisa em metalurgia do pó e tecnologia de plasma no Brasil. Ele liderou a criação da pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais, com união de professores de outros três programas de pós-graduação consolidados na UFSC (Engenharia Mecânica, Física e Química), e também a implantação do Curso de Graduação em Engenharia de Materiais. Mas o pesquisador que é referência catarinense e brasileira em metalurgia do pó, Bolsista em Produtividade nível 1A do CNPq, ressalta a “sorte” de ter sempre bons alunos e faz questão de frisar que suas conquistas e contribuições são resultados do trabalho coletivo.

“Ninguém faz nada sozinho. Trabalho rodeado por pessoas competentes”, diz o professor que obteve a aprovação de 11 grandes projetos de pesquisa junto a órgãos financiadores, como coordenador de grupo de pesquisa interdisciplinar. “O maior projeto envolveu mais de 30 professores; a maioria tem entre cinco e oito professores”, conta.

Visão institucional
“Ele sempre vê a instituição como um dos seus principais objetivos. O espírito agregador e a fidelidade institucional são pontos fortíssimos na carreira na UFSC. Um exemplo foi o esforço na criação do Laboratório Central de Microscopia Eletrônica”, lembra o diretor de Projetos de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC Jorge Mário Campagnolo.

No multiusuário Laboratório Central de Microscopia Eletrônica da UFSC, quatro microscópios que ampliam amostras em mais de um milhão de vezes são fundamentais para a pesquisa de novos materiais (interesse principal de Klein, pesquisador da área de metalurgia do pó, campo em que observar a estrutura do material é essencial). Os microscópios são também suporte fundamental a equipes de outros centros de ensino da UFSC, das áreas de biologia, física e química.

Agora ele sonha com a concretização de outro grande projeto institucional: a implantação do Instituto de Ciência e  Engenharia de Superfícies. Assim como o Laboratório Central de Microscopia Eletrônica, o novo instituto é resultado de aprovação pela UFSC de um grande projeto no CTinfra, o fundo da FINEP voltado a viabilizar a modernização e ampliação da infraestrutura e dos serviços de apoio à pesquisa nas universidades.

Pesquisa precisa ter aplicação
O crescimento e fortalecimento da área de materiais na UFSC conta com outra visão sobre o desenvolvimento da pesquisa que Aloísio Klein compartilha e estimula: os estudos precisam ter aplicação. “Um novo material precisa ser desenvolvido para cumprir uma função de engenharia definida. Inovação é produto para o mercado e não corpo de prova no laboratório”, considera o professor que há anos trabalha com empresas como Embraco (uma parceria de mais de 20 anos) e Lupatech (parceira de 15 anos), entre outras.

Esse pragmatismo está impresso na obtenção de diversas patentes (no Brasil e em outros países). Elas protegem a invenção de produtos ou processos relacionados à industrialização de peças metálicas, e que são capazes de contribuir com aumento de produtividade, redução de custos e eliminação de resíduos.

“Parceria com empresa não significa apenas fornecer um relatório ao final do projeto. Elas devem participar deste a elaboração das idéias e definição de problemas técnicos a serem resolvidos até a implantação industrial da inovação. Em nosso grupo os trabalhos com as empresas parceiras têm continuidade, a empresa acompanha os resultados e redireciona ações”, conta o professor que tem entre as patentes de sua coautoria um reator de plasma para tratamento de peças metálicas, invenção patenteada em conjunto com a Whiripool/Embraco, companhia brasileira líder do mercado latino-americano de eletrodomésticos.

Colaboração nacional
Aloísio Nelmo Klein colabora também com órgãos públicos que financiam a pesquisa. Durante seis anos foi membro do grupo técnico do Subprograma de Novos Materiais do PADCTII – o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Por quatro anos participou da Comissão de Avaliação e Acompanhamento do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), também do MCT. Atuou ainda durante seis anos (dois mandatos) como membro do Comitê Assessor de Minas, Metalurgia e Materiais (CA-MM), do CNPq.

Além disso, durante 10 anos atuou como membro titular do Conselho Deliberativo do CCB (o Centro Cerâmico do Brasil) – e por cinco foi seu vice-presidente. Entre 2007 e 2010 sua experiência foi compartilhada como membro do Grupo de Estudos do Centro de Gestãoe Estudos Estratégicos, participando da realização de um Estudo Prospectivo em Materiais. Em 2010 participou do comitê de avaliação dos programas de pós-graduação da área de Materiais, para a Avaliação Trienal 2010 da Capes.

“Nestes momentos é preciso olhar o país”, diz o pesquisador que atua também como consultor do CNPq, Capes, Finep, Fapesc e do DAAD, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico.

Mais informações: Aloísio Nelmo Klein, klein@emc.ufsc.br

Mais informações sobre o Prêmio Destaqe Pesquisador UFSC/2011:
– Débora Peres Menezes / Pró-Reitora de Pesquisa e Extensão /debora@reitoria.ufsc.br / 3721-9716
– Jorge Campagnolo / Diretor de Projetos de Pesquisa /campagnolo@reitoria.ufsc.br / 3721-9437

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

Saiba Mais:

Prêmios
– 2007   Menção Honrosa no Jornal “A NOTICIA”. Inteligência Catarinense: Quem são, o que estudam e quais as contribuições dos principais nomes da pesquisa do Estado (SC), Jornal a Noticia- Estado de Santa Catarina.
– 2002    Prêmio Paulo Lobo Peçanha – Combustol Industria e Comercio Ltda, pelo trabalho ” Pré-Sinterização de Metal Duro em Reator de Plasma: Manutenção do Teor de Carbono”, Associação Brasileira de Metalurgia e
Materiais – ABM.
– 1999    Prêmio de Inovação Tecnológica FINEP/MCT ganho em parceria com a LUPATECH S/A pelo desenvolvimento do processo de extração de ligantes assistida por plasma em peças feitas por injeção de pós., FINEP-REVISTA EXPRESSÃO.
– 1997    Best Paper in GAS Application – White Martins’ award . Paper Title: PLasma Sintering: A nonel process fro sintering metallic components, First International Latin-American Conference on Powder
Technology.
– 1994    Premio Paulo Lobo Peçanha (ABM) pelo artigo “Comportamento Mecânico do Sistema FeCuSnP sinterizado, apresentado no congresso ABM, ABM.

Produção bibliográfica:Artigos completos publicados em periódicos:  84
Capítulos de livros publicados: 4
Trabalhos completos publicados em anais de congressos:  167
Resumos publicados em anais de congressos: 13
Processos ou técnicas: 13

Supervisões e orientações concluídas

Dissertação de mestrado: 28
Tese de doutorado: 21
Supervisão de pós-doutorado: 9
Trabalho de conclusão de curso de graduação: 10
Iniciação Científica: 60

Orientações em andamento:
Dissertação de mestrado: 7
Tese de doutorado: 6
Supervisão de pós-doutorado: 3
Iniciação científica: 2

Participação em bancas examinadoras:
Dissertações:61
Teses de doutorado: 45
Qualificações de doutorado: 13
Trabalhos de Conclusão de Curso de graduação: 3

Professores que serão homenageados com o Prêmio Pesquisador UFSC 2011:
Alckmar Luiz dos Santos / Centro de Comunicação e Expressão
Aloísio Nelmo Klein
/ Centro Tecnológico
Edio Luiz Petrosk /  Centro de Desportos
Eloir Paulo Schenkel / Centro de Ciências da Saúde
José Rubens Morato Leite / Centro de Ciências Jurídicas
Miguel Pedro Guerra / Centro de Ciências Agrárias
Newton Carneiro Affonso da Costa Junior / Centro Sócio-Econômico
Reinaldo Naoto Takahashi / Centro de Ciências Biológicas (CCB)
Ruth Emília Nogueira / Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Ruy Exel Filho / Centro de Ciências Físicas e Matemáticas

Experimento pH do planeta mobiliza o País

12/10/2011 09:31
Caio Henrique de Oliveira, aluno do 3º ano do Colégio Estadual Governador Roberto Santos, em Salvador, recentemente saiu da sala de aula com um grupo de 20 colegas para passar o dia no Dique do Tororó e no Porto da Barra. A missão: coletar a água desses locais para análise. Poderia ser mais uma corriqueira atividade escolar, mas, na realidade, os estudantes estavam participando de algo muito maior. Um experimento global da água, chamado de pH do Planeta, que envolve diversos países e é uma das atividades do Ano Internacional da Química (AIQ 2011).

“Isso mudou minha percepção da química. Antes eu só tinha a teoria do que era o pH, não conhecia nada na prática. E ainda foi legal participar de um projeto tão importante para o planeta”, conta Oliveira, que quer fazer vestibular para engenharia civil. “Hoje me sinto mais consciente e jogo o lixo em seu devido local”, acrescenta. “Houve um impacto positivo, pois eles puderam ver mais além da questão matemática do pH, como se aplica e como ele pode influir na nossa vida. Muitos querem retornar para novas coletas”, conta Adson Moradillo, professor que acompanhou os alunos do Colégio Estadual Governador Roberto Santos.

O experimento é uma das atividades AIQ propostas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). Rios, lagos, igarapés, nascentes, poços e o mar são os alguns dos objetos de pesquisa da ação, efetuadas por alunos de ensino fundamental e médio de escolas públicas, com a coordenação de seus professores e de professores de universidades.

No Brasil, as atividades estão sendo coordenadas pelos órgãos representativos da química brasileira e o experimento faz parte de um conjunto de ações propostas pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ), com a ideia de melhorar a educação e a pesquisa em química no País. O resultado de todos os países envolvidos será apresentado na cerimônia oficial de encerramento do Ano Internacional da Química, em dezembro deste ano, na sede da Unesco, em Paris.

Ação – A atividade é simples. Os alunos coletam a água de uma fonte natural local em duas garrafas pet. Ao voltar para a escola, as amostras são analisadas com azul de bromotimol e púrpura de metacresol, soluções que indicam o pH. Os valores médios originados dos resultados da turma devem ser lançados no Banco de Dados Nacional do Experimento Global, juntamente com informações sobre a amostra e a escola participante, dentro do portal nacional de recebimento dos dados Química Nova Interativa (QNInt), da SBQ (http://qnint.sbq.org.br/qni). “São kits com dois indicadores, substâncias que não têm grau toxicidade significativo e de fácil manipulação por qualquer pessoa”, esclarece Moradillo.

Rezende conta que apesar dos 2000 usuários cadastrados, apenas cerca de 400 resultados foram enviados. “É legal ter essa participação, mas a gente precisa que as pessoas respondam”, alerta. Moradillo e seus alunos já completaram essa etapa. “Agora os estudantes estão trazendo novas amostras, de outras localidades, que podem ser de sua residência ou de uma represa perto de casa, por exemplo”, revela, dizendo também que pretendem voltar aos pontos de coleta para outra amostra, já que o pH da água do dique apareceu acima do esperado.

Segundo a professora, o número de kits que serão distribuídos pelo projeto do AIQ, ou seja, fora os dos INCTs, é de 35 mil. A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2011, que acontece de 17 a 23 de outubro, incluiu o experimento entre suas atividades e espera-se que aumente significativamente o número de entradas de experimentos no portal.

(Editado do material de Clarissa Vasconcellos – Jornal da Ciência)

Em Santa Catarina a UFSC é uma das instituições que está distribuindo o kit