UFSC convida escolas a programarem visitas a seu “circo da ciência”

19/09/2011 17:06

A Universidade Federal de Santa Catarina convida escolas do Estado para programarem com suas turmas visitas à décima Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepex). O evento será realizado de 19 a 22 de outubro, em frente à Reitoria, no campus da Trindade, em Florianópolis. A Sepex é uma mostra de centenas de projetos nas áreas de educação, saúde, cultura, tecnologia, comunicação, meio ambiente, trabalho e direitos humanos.

O “circo da ciência” da UFSC é montado com uma estrutura de quase cinco mil metros quadrados. É um dos principais eventos de popularização de ciência e tecnologia em Santa Catarina, oferecendo também dezenas de minicursos gratuitos, palestras e atividades artísticas. O encontro é integrado à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Programe-se para visitar a mostra de projetos nos estandes interativos e para participar também das palestras e atividades paralelas.

Visitação aos estandes interativos em frente à Reitoria:
De quarta a sexta-feira: 9h às 19h
Sábado: 9h às 13h

Acompanhe a programação:

Palestras

20 de outubro / 18h30min / Auditório da Reitoria
– Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos / Convidado: Carlos Nobre, Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia.

21 de outubro / 9h / Auditório da Reitoria
– Ano Internacional da Química / Faruk José Nome Aguilera, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Catálise em Sistemas Moleculares e Nanoestruturados, com sede no Departamento de Química da UFSC.

21 de outubro / 14h30min / Auditório Garapuvu, Centro de Cultura e Eventos
– Desafios da Longevidade / Wilson Jacob Filho, coordenador do Serviço de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP.

21 de outubro / 17h / Auditório da Reitoria
–  Contribuições do Naturalista Fritz Müller para a Ciência / Luiz Fontes, Margherita Barracco e Cezar Zillig

Eventos paralelos:
– 21° Seminário de Iniciação Científica (19, 20 e 21 de outubro, manhã e tarde, Centro de Cultura e Eventos)
– Café Científico (19 de outubro, 14h, Centro de Cultura e Eventos)
– Entrega do Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 2011 (19 de outubro, 19h, Auditório Garapuvu, Centro de Cultura e Eventos)
– Workshop Mudanças Climáticas, Desastres Naturais e Previsão de Risco (20 de outubro, 9 às 18h, Auditório da Reitoria)
– 6ª Feira Estadual de Ciências e Tecnologia

Mais informações: sepex@reitoria.ufsc.br

Professor Ruy Exel Filho é Destaque Pesquisador do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas

15/09/2011 15:33

A homenagem acontecerá no dia 19 de outubro, a partir de 19h, em conjunto com a abertura do XXI Seminário de Iniciação Científica da UFSC – evento integrado à décima edição da Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepex).

O gosto pelo windsurfe e a vontade de trocar a violência e a pressa de São Paulo pela tranquilidade de Florianópolis fizeram com que o professor Ruy Exel Filho passasse a prestar seus serviços à Universidade Federal de Santa Catarina. Suas pesquisas ajudaram a qualificar o Departamento de Matemática, onde é professor titular desde 1998, estudando álgebra de operadores, variedades de Heisenberg quânticas, sistemas dinâmicos quânticos irreversíveis, formalismo termodinâmico e mecânica dos sólidos.

Por conta desse trabalho, da publicação frequente de artigos em revistas científicas e da orientação a mestrandos da UFSC e a doutorandos de outras instituições, ele foi indicado pelos colegas do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM) para o Prêmio Destaque Pesquisador UFSC-2011. A homenagem acontecerá no dia 19 de outubro, a partir de 19h, em conjunto com a abertura do XXI Seminário de Iniciação Científica da UFSC – evento integrado à décima edição da Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepex).

Filho de um engenheiro civil na capital paulista, Exel conta que com a idade de 10 anos ficava com o pai até a madrugada para resolver um quebra-cabeça, e não raro passava dias e dias pensando na solução de um problema difícil. “Quando encontrava a resposta, era uma coisa muito prazerosa”, recorda. Essa influência do pai pode ter sido determinante na escolha da profissão, mesmo que a família tenha, a princípio, torcido para que ele também optasse pela engenharia.

Também contribuiu para a sua escolha um professor de cursinho que lhe mostrou o mundo acadêmico, com o qual não tivera contato até então. “Isso amadureceu a ideia de me tornar matemático”, conta. Os obstáculos iniciais, na Universidade de São Paulo (USP), deram lugar a revelações cada vez mais estimulantes. Em três anos, Exel estava formado, ganhando sempre a medalha de melhor aluno. Foi para o Rio de Janeiro fazer um curso de verão no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), o que lhe permitiu o contato com professores e pesquisadores de destaque na área da Matemática.

O mestrado foi o passo seguinte, e graças a uma bolsa do CNPq ele pôde fazer doutorado na Universidade de Berkeley, na Califórnia, entre 1981 e 1985. Por meio de um acordo entre o IME-USP e o CNPq, lecionou ao mesmo tempo em que buscava o título de doutor. Depois, fez o pós-doutorado na Inglaterra, durante seis meses.

Uma guinada no departamento

O trânsito alucinado, a criminalidade e as grandes desigualdades sociais de São Paulo levaram Ruy Exel Filho a buscar uma colocação em Santa Catarina. Ele já praticava windsurfe em Ilhabela, no litoral paulista, e passava férias em Ibiraquera, no sul catarinense. Também tinha bons amigos no Departamento de Matemática da UFSC. Ao ser convidado pelo professor Celso Doria, hoje seu vizinho de sala, para dar uma palestra, ficou sabendo que seria aberto concurso para professor titular em sua área.

Mesmo tendo sido aprovado também em um concurso para professor Titular na USP, Exel decidiu vir para Florianópolis. Na época, os professores davam principalmente aulas para as Engenharias e não havia investimentos em pesquisas. “Era preciso fazer uma reformulação no departamento”, lembra. Uma das dificuldades era a biblioteca setorial, que era – e ainda é – deficitária. Ali não chegam a 20 (de pelo menos 200 revistas editadas pelo mundo a fora) as assinaturas de periódicos que divulgam as pesquisas em Matemática.

O advento da internet ajudou, porque ele passou a acessar no portal da Capes as revistas disponibilizadas de forma eletrônica. Num meio em que os esforços ainda se concentram na graduação, Ruy encontrou liberdade para montar uma equipe de pesquisa forte e ativa. O grupo de Álgebra de Operadores é um exemplo disso. No artigo “Von Neumann e a Teoria de Álgebra de Operadores”, publicado em 1996, Exel dá uma ideia do objeto de seus estudos:

“No que veio a constituir aproximadamente um terço de sua extensa lista de publicações, von Neumann desenvolveu sua teoria de operadores no espaço de Hilbert, criando assim não apenas uma nova teoria matemática, que comporta aplicações à teoria de representações de grupos infinitos e teoria ergódica, mas uma nova forma de pensamento, que permite modelar a lógica fugaz da mecânica quântica e que, com os avanços subsequentes, proporcionou uma abrangente unificação de diversos campos da Matemática. As portas abertas pelo seu trabalho continuam a provocar desenvolvimentos cruciais na fronteira da matemática dos dias de hoje”.

Base ruim, pesquisa em alta

Uma das deficiências da Matemática da UFSC é não ter doutorado, mas esse problema será solucionado com a criação do doutorado que deve receber seus primeiros alunos a partir de 2013. “Eu era contra, por falta de massa crítica suficiente, mas os últimos contratados são mais envolvidos com a atividade de pesquisa”, explica Exel, membro da Academia Brasileira de Ciências. Até lá, ele continuará dando orientação a doutorandos de fora, matriculados na USP e na Unicamp, por exemplo.

Uma das razões para a Matemática ser vista com desconfiança pelos jovens é a má qualidade do ensino elementar no Brasil, atestada pelo Programme for International Student Assessment (PISA), que avalia o nível de conhecimento matemático de alunos até os 15 anos de idade. “Houve esforços recentes para melhorar esse quadro, como as Olimpíadas de Matemática, mas ainda não apareceram resultados visíveis”, avalia o professor. Por outro lado, o International Mathematical Union (IMU), que classifica os países em cinco grupos de acordo com sua evolução nas pesquisas em Matemática, coloca o Brasil logo abaixo do grupo top (quatro), ao lado da Holanda, Espanha e Suíça e acima da Dinamarca, Portugal e Argentina.

Um ponto nevrálgico são os baixos salários e o desestímulo à carreira de professor do ensino básico. “Há pouco apelo e demanda pelos profissionais, pela inclinação materialista da sociedade, e por isso poucos se dedicam às ciências básicas”, considera Exel. Uma prova disso é baixa procura pelo curso de Matemática na UFSC. “Só pessoas idealistas, que têm vocação, é que vêm, por esta não ser uma das profissões mais rentáveis. Nas universidades o salário é relativamente bom, desde que se tenha doutorado”.

Por outro lado, o número de empregos na iniciativa privada é baixo, por causa da dependência tecnológica do país. As nações mais desenvolvidas é que mandam nesse campo. De qualquer forma, a Matemática pode ser aplicada a uma quantidade gigantesca de áreas, como a informática, as telecomunicações e processos industriais diversos. A American Telephone and Telegraph (AT&T), gigante da área das telecomunicações, costuma contratar alunos recém-formados em Matemática nos grandes eventos que realiza.

Matemática e Filosofia

No âmbito da academia, a Matemática pura envolve muitos pesquisadores, que se comunicam e se informam por meio de revistas especializadas ou pela participação em congressos internacionais. “Há uma comunidade enorme tentando resolver problemas em aberto”, diz o professor. “Os desenvolvimentos feitos numa direção ajudam a quem caminha numa direção paralela”. Ele alerta que a resolução de problemas matemáticos complexos pode ter impacto direto, por exemplo, na compreensão da estrutura subatômica da matéria, bem como na cosmologia, mostrando como funciona a atração gravitacional entre corpos celestes, além de inúmeras outras questões não resolvidas até hoje.

“Na matemática, as afirmações e resultados são absolutamente exatos, inquestionáveis, e quem é dono da versão correta tem ferramentas para convencer seu interlocutor” ensina Exel. “Isso não significa que esta seja uma disciplina estanque, porque o conhecimento da humanidade está em constante evolução”. Em inúmeras áreas, essa evolução busca soluções de caráter puramente matemático e lógico, das quais depende a busca de outros avanços, em outros campos do conhecimento. Um exemplo ocorreu na Universidade de Berkeley: a solução de um problema matemático permitiu mudar a distribuição de correspondências numa cidade, diminuindo o tempo gasto no deslocamento dos carteiros.

Há também, por parte do professor, a certeza de que a Matemática permeia todas as outras disciplinas. “Os gregos foram tão filósofos quanto matemáticos, e dá para dizer que a Matemática é um dos frutos da Filosofia”, destaca. “Platão já se perguntava sobre o que é um número e um triângulo equilátero. E grande parte do platonismo foi no sentido da busca da formulação de um universo perfeito. Já a arte tem na geometria um apoio importante, pelo uso da perspectiva. O artista gráfico holandês Maurits Escher tem a obra impregnada pela Matemática”.

Saiba Mais:

Números no Brasil

  • Cerca de mil matemáticos ativos (estimativa)
  • Cerca de 350 bolsistas de produtividade do CNPq
  • 53 membros titulares da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na área de Matemática
  • 19 membros titulares brasileiros da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS) na área de Matemática
  • Presença do Brasil no grupo 4 da International Mathematical Union (União Matemática Internacional

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Por Paulo Clóvis Schmitz /Jornalista da Agecom
Fotos: Camila Peixer / Bolsista de Jornalismo na UFSC

Saiba Mais
O Prêmio Destaque Pesquisador

O reconhecimento de docentes com elevada contribuição às atividades de ensino, pesquisa e extensão com o Prêmio Destaque Pesquisador iniciou em 2010, como uma das ações do cinquentenário da Universidade.

Em 2011, cada um dos centros de ensino da universidade foi novamente convidado a indicar um professor. A Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão sugeriu aos centros de ensino que fizessem sua seleção partindo de critérios próprios, mas também levando em conta o impacto ou o potencial de impacto das pesquisas realizadas pelo pesquisador, publicações em veículos de reconhecida excelência, a formação de recursos humanos na pós-graduação e o reflexo dos estudos no reconhecimento da UFSC como centro de excelência na área.

O objetivo da homenagem é intensificar a divulgação da produção científica e tecnológica da instituição, mostrando à sociedade quem são as pessoas que fazem com que a Universidade Federal de Santa Catarina figure entre as mais produtivas universidades brasileiras. Segundo o último ranking Webometrics, a UFSC está entre as cinco melhores universidades brasileiras, sendo a sexta na América Latina.

Pesquisadores já indicados:

Aloísio Nelmo Klein / Centro Tecnológico
Edio Luiz Petrosk /  Centro de Desportos
Eloir Paulo Schenkel / Centro de Ciências da Saúde
José Rubens Morato Leite / Centro de Ciências Jurídicas
Miguel Pedro Guerra / Centro de Ciências Agrárias
Newton Carneiro Affonso da Costa Junior / Centro Sócio-Econômico
Reinaldo Naoto Takahashi / Centro de Ciências Biológicas (CCB)
Ruth Emília Nogueira / Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Ruy Exel Filho / Centro de Ciências Físicas e Matemáticas

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Ivo Barbi é homenageado com Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 anos

Centro de Ciências da Educação homenageia Leda Scheibe com o Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 anos

Centro de Ciências Agrárias escolhe Jaime Fernando Ferreira como Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Antônio Carlos Wolkmer é homenageado com o Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Luiz Fernando Scheibe recebe carinho e reconhecimento com prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Alacoque Lorenzini recebe prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Professora do Departamento de Serviço Social recebe prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos na segunda-feira

Markus Nahas recebe Prêmio Destaque Pesquisador

Wagner Figueiredo recebe prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos divulga importância da ciência básica

Raul Antelo recebe Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Assista: o que é a Sepex

15/09/2011 14:51

A Sepex é uma mostra de centenas de projetos da Universidade Federal de Santa Catarina em uma estrutura de quase cinco mil metros quadrados montada em frente à Reitoria. É o principal evento de popularização de ciência e tecnologia em Santa Catarina e inclui dezenas de minicursos gratuitos, palestras e atividades artísticas. O encontro é integrado à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Programe-se para visitar a mostra de projetos e participar das atividades paralelas.

Saiba mais no material da TV UFSC

Estudantes que participarem de palestras na Sepex receberão certificados

14/09/2011 12:37

Com o objetivo de obter maior participação nas palestras que acontecerão durante a 10ª Sepex , a partir desta edição serão disponibilizados certificados aos estudantes da UFSC mediante comparecimento e registro de frequência.

Este sistema já funciona para os minicursos e a partir de agora valerá também para as palestras, possibilitando aos alunos um número maior de horas em atividades complementares. A comissão organizadora da Sepex solicita aos professores a divulgação da informação entre os estudantes.

Para validar a participação nas palestas como horas de atividades complementares o estudante deve:
1 – Participar da palestra e ao final assinar lista de presença com CPF
2 – Obter certificado em sistema online que será disponibilizado no site da Sepex (www.sepex.ufsc.br)
3 – Levar o certificado na coordenação de seu curso de graduação para creditar as horas de atividades complementares.

Acompanhe a programação:

Palestra Magna de Abertura do 21° Seminário de Iniciação Científica:  Iniciação Científica e Tecnológica e a Formação de Profissionais Inovadores
Alvaro Prata, Reitor da UFSC, professor do Departamento de Engenharia Mecânica
19 de outubro / 18h30min / Auditório Garapuvu / Centro de Cultura e Eventos

Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos
Carlos Nobre, Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT)
20 de outubro / 18h30min / Auditório da Reitoria

Ano Internacional da Química
Faruk José Nome Aguilera, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Catálise em Sistemas Moleculares e Nanoestruturados, com sede no Departamento de Química da UFSC
21 de outubro / 9h / Auditório da Reitoria

Desafios da Longevidade
Wilson Jacob Filho, coordenador do Serviço de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
21 de outubro / 14h30min / Auditório Garapuvu, Centro de Cultura e Eventos

Contribuições do Naturalista Fritz Müller para a Ciência
Luiz Fontes (Médico do IML de São Paulo), Margherita Barracco (UFSC) e Cezar Zillig (Médico neurocirurgião, autor de várias obras sobre Fritz Müller)
21 de outubro / 17h / Auditório da Reitoria

UFSC reconhece trajetória de professor do Direito Ambiental

06/09/2011 15:16

Estudos sobre casos célebres do Direito Ambiental, como a Usina de Belo Monte (que deve provocar  o alagamento de cinco municípios ao redor do Rio Xingu, no Pará), Itaipu, Angra dos Reis e Balbina (hidrelétrica no Rio Uatumã, no meio da floresta amazônica) são passos importantes na carreira do professor da UFSC José Rubens Morato Leite. O Código Ambiental de Santa Catarina, organismos geneticamente modificados e a legislação brasileira e européia sobre agrotóxicos estão entre os interesses atuais do professor escolhido pelo Centro de Ciências Jurídicas da UFSC para receber o Prêmio Destaque Pesquisador 2011.

O laboratório de problemas ambientais que é a Ilha de Santa Catarina é outra preocupação do Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental, coordenado pelo docente na UFSC. É com essa equipe que José Rubens se dedica ao estudo, ao ensino e à extensão em ocorrências que demandam análises do Direito Ambiental.

“É uma área recente, que cresceu a partir de 1970 e tem evoluído com a necessidade do Estado de estabelecer leis de proteção”, explica, lembrando que normas são elaboradas a partir de 1981e há avanços com a constituição de 1988, com um capítulo sobre proteção ambiental.

“O Direito Ambiental dá densidade à discussão jurídica, ajuda na análise de fatos que devem ser vistos localmente e pensados globalmente, pois o problema ambiental ultrapassa o estado, é transfronteiras, transtemporal”, defende o professor formado em Direito, mestre em Direito Ambiental pelo University College London (Universidade de Londres, Inglaterra), doutor pela UFSC e pós-doutor pelo Centre of Environmetal Law da Macquarie University (Austrália).

Em seu trabalho José Rubens lida diariamente com conceitos como o dano ambiental e a chamada “Sociedade de Risco”. “Há uma irresponsabilidade organizada”, preocupa-se o professor que em suas pesquisas aborda a reparação de danos ambientais, trabalhando com a atual concepção de compensação ecológica.

Autor de artigos científicos publicados em eventos e periódicos nacionais e estrangeiros, dezenas de capítulos e livros na área jurídica, José Rubens teve seu trabalho reconhecido no mês de julho com a indicação ao Prêmio Jabuti da obra Biocombustíveis, Fonte de Energia Sustentável? Considerações Jurídicas e Éticas, da Editora Saraiva.

“É uma publicação que reúne muitas reflexões sobre essa temática”, comemora o professor dos cursos de graduação e de pós-graduação em Direito da UFSC, membro do Conselho Científico da Revista de Direito Ambiental da Editora Revista dos Tribunais.

Direito por um Planeta Verde
Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, integrante da Comissão de Direito Ambiental da União Mundial de Conservação (The World Conservation Union), sócio-fundador da Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil, José Rubens é também vice-presidente do Instituto O Direito por um Planeta Verde.

A ONG integrada a um instituto ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) é uma das mais atuantes na área de proteção ambiental. Com sede em São Paulo, publica desde 1986 uma revista de direito ambiental e organiza o principal congresso nesse campo.

Na trajetória de José Rubens o trabalho com ONGs é de longa data e muitos dos resultados são obtidos somente ao longo do tempo. “Depois de 10 anos de uma ação contra uma empresa que extraía areia em área de restinga na Ilha é que tivemos a decisão do juiz de que de fato se tratava de atividade ilegal”, lembra o professor sobre ação de 1994.

Com seu grupo e a ONG Aliança Nativa, também de Florianópolis, ele comemora outra ação que impede construções de mais de seis andares no Bairro Santa Mônica. Uma placa logo na entrada do bairro registra a conquista que leva em conta a manutenção de qualidade de vida dos moradores.

Amigo da Corte
Na discussão sobre o Código Ambiental de Santa Catarina, a pedido de uma ONG, o professor José Rubens Morato Leite atuou como “amigo da corte”. O Amicus curiae (termo de origem latina) caracteriza uma espécie de auxiliar do juízo, colaborando para primorar as decisões do Poder Judiciário.

Com esta responsabilidade e o auxílio de seu grupo de pesquisa, elaborou documento de mais de 60 páginas em uma defesa judicial fundamentando a inconstitucionalidade da lei catarinense.

“Consideramos que a lei não pode promover retrocesso”, destaca o pesquisador que entende o direito ao meio ambiente como fundamental ao ser humano. “Não é um direito periférico”, salienta.

“Gosto de trabalhar com o mundo real”, faz também questão de compartilhar o orientador de mais de 60 trabalhos de conclusão de curso, mais de 20 de iniciação científica, quase 20 dissertações e quatro teses de doutorado. Sua trajetória será homenageada no mês de outubro com o Prêmio Destaque Pesquisador 2011, durante a Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSC.

Trajetória:

– Com pai e tio-avô juristas, José Rubens Morato Leite começou a atuar na área ambiental na prefeitura de São Paulo, em 1982, como assessor jurídico. Na Secretaria de Serviços, Obras e Parques, foi convidado a representar a prefeitura em congresso e reforçou seu interesse pelo Direito Ambiental.

– Formou-se em Direito, fez mestrado na Universidade de Londres (Inglaterra), doutorado na UFSC (curso de excelência avaliado pela Capes com conceito 6) e pós-doutorado na Macquarie University, na Austrália.

– Entrou na UFSC em 1994, em concurso para o Departamento de Direito. Havia cinco vagas, apenas dois candidatos passaram. Na Universidade foi também coordenador do Escritório Modelo de Assistência Jurídica.

Produção Científica:

Artigos completos em periódicos: 38
Livros publicados/organizados ou edições: 23
Capítulos de livros publicados: 48
Trabalhos completos publicados em anais de congressos: 7

Supervisões e orientações concluídas :
– Dissertações de mestrado : 18
– Teses de doutorado: 4
– Trabalhos de conclusão de curso de graduação: 63
– Trabalhos de iniciação científica: 24

Orientações em andamento:
– Dissertações de mestrado: 2
– Teses de doutorado:  3

Pesquisas atuais:
– Estado de Direito Ambiental: Perspectivas e Novos Instrumentos para Gestão Sustentável
– Agrotóxicos e Riscos: Aspectos Técnicos, Jurídicos e Éticos
– Organismos Transgênicos e Riscos Ambientais: Considerações Técnicas, Jurídicas e Éticas sobre os Limites da Moderna Biotecnologia
– A Reparação do Dano Ambiental na Sociedade de Risco: Aspectos Jurídicos e Compensação Ecológica. Biotecnologia
– Teoria Constitucional e Meio Ambiente

Mais informações: (48) 3721-6745 / Esta imagem contém um endereço de e-mail. É uma imagem de modo que spam não pode colher.

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos: Camila Peixer / Bolsista de Jornalismo na UFSC

Pesquisadores já indicados ao Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 2011:

Aloísio Nelmo Klein / Centro Tecnológico
Edio Luiz Petrosk /  Centro de Desportos
Eloir Paulo Schenkel / Centro de Ciências da Saúde
José Rubens Morato Leite / Centro de Ciências Jurídicas
Miguel Pedro Guerra / Centro de Ciências Agrárias
Newton Carneiro Affonso da Costa Junior / Centro Sócio-Econômico
Reinaldo Naoto Takahashi / Centro de Ciências Biológicas (CCB)
Ruth Emília Nogueira / Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Ruy Exel Filho / Centro de Ciências Físicas e Matemáticas

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Luiz Fernando Scheibe recebe carinho e reconhecimento com prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Alacoque Lorenzini recebe prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Professora do Departamento de Serviço Social recebe prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos na segunda-feira

Markus Nahas recebe Prêmio Destaque Pesquisador

Wagner Figueiredo recebe prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos

Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos divulga importância da ciência básica

Raul Antelo recebe Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos